Responsáveis não esclarecem se civis estão a ser atingidos

Os Estados Unidos da América (EUA) estão a usar munições de fósforo branco no Iraque, uma arma química altamente venenosa proibida pela Convenção sobre Armas Químicas.

Soldados executam um bombardeamento de artilharia no Norte do Iraque a 14 de Agosto de 2016. As munições de fósforo branco estão visíveis no canto inferior direito

Fotografia divulgada pelo Pentágono mostram munições M825A1 de fósforo branco a serem utilizadas no Iraque, noticiou ontem o Washington Post.

Estas armas químicas, que são utilizadas para sinalizar o avanço de tropas ou criar cortinas de fumo, provocam queimaduras graves em contacto com a pele, podendo representar perigo para os profissionais de saúde que intervenham no tratamento das vítimas.

A utilização de armas químicas é proíbida pela Convenção de Genebra, pela qual se rege o Direito Humanitário Internacional. A Convenção sobre Armas Químicas restringe a utilização de munições de fósforo branco e proíbe-a em áreas com população civil.

Um responsável militar das forças dos EUA no Iraque, o coronel Joseph Scrocca, garantiu, na quarta-feira, que as munições estão a ser utilizadas com respeito pelo Direito Humanitário Internacional, e nunca sobre população civil ou combatentes inimigos.

No dia seguinte, o porta-voz das forças americanas no terreno corrigiu a declaração de Scrocca. O coronel John Dorrian clarificou que são empregues todas as medidas para «minimizar os risco de lesões sobre civis». Questionado pelo Washington Post se a utilização era unicamente feita para sinalizar ou camuflar, o responsável só conseguiu afirmar que, na generalidade dos casos, as munições eram usadas com esse propósito.

No passado, forças dos EUA utilizaram munições de fósforo branco sobre combatentes inimigos no Iraque, em 2004. Também no Afeganistão foram confirmadas utilizações da arma química pelo Exército norte-americano em 2009, com lesões documentadas em populações civis. Outros países que utilizaram o químico nos últimos anos são Israel, no Líbano, em 2006, e em Gaza, em 2008, e a Arábia Saudita, no Iémen, em 2009.

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