por Rogério Maestri

Há quase um ano divergia das análises que vários comentaristas político-econômicos faziam da possibilidade de um golpe, simplesmente porque via ao longe que um golpe não poderia sem o planejamento, sem a base necessária e sem outros pré-requisitos criar uma estrutura permanente que o garantisse a médio e longo prazo..

Achava, e o tempo me dá razão, que dado o golpe para este se sustentar teríamos que entrar num ambiente de GUERRA CIVIL, e por não acreditar que os políticos brasileiros quisessem isto, não acreditava na viabilidade do golpe. Ao mesmo tempo citava junto a interpretações sobre a ação dos golpistas como verdadeiros amadores, e de novo confirmo as minhas hipóteses..

Porém esta análise falhou num ponto, em não me dar conta que outras forças além do PMDB e de outros partidos estão arriscando bancar esta GUERRA CIVIL. Estas forças poderosíssimas principalmente dirigidas por elementos externos ao país apoiadas por partidos mais a direita do espectro político, como o PSDB, DEM e outros estão preparando um golpe dentro do golpe.

Se verificarmos os discursos de elementos do judiciário, que tem ligação direta com uma trama bem mais sofisticada, nota-se que os mesmos partirão aos poucos todo o sistema político brasileiro levando de roldão não só o PT e demais partidos de esquerda, como também os partidos de direita, desde o PMDB, até o PSDB, DEM e outros satélites. As denúncias que todos os partidos são corrompidos e merecem ser estripados da politica nacional levarão a extinção do ESTADO BRASILEIRO..

Não estou criando uma tese totalmente nova, estou sim fazendo uma adaptação do trabalho do cientista norte-americano de 1942, Franz Neumann, denominado “Behemoth: estrutura e prática do nacional socialismo”. Este trabalho está muito bem descrito na tese de Diogo Ramos ou no seu artigo “Franz Neumann e o Nazismo como a Destruição do Estado”..

Como conhecia há mais tempo o trabalho via a inviabilidade de implantação de um regime fascista clássico no Brasil, simplesmente por não contar com um programa nacionalista, com um movimento squadrista que precede a chegada ao poder dos fascistas, ou mesmo com um elemento carismático para interpretar a figura do Líder necessária aos movimentos fascistas. Ou seja, o cenário necessário para a implantação de um governo fascista não está presente..

Porém o que não percebi há alguns meses é que na realidade a atual dinâmica do sistema não está direcionada para um regime nazifascista, mas sim by–passando esta fase e indo direto a um regime autoritário, autocrático, totalitário e truculento sem a necessidade do inconveniente discurso nacional-socialista inicial..

Ou seja, o que está se mostrando claro dia a dia, é que vão pular a etapa de mobilização de massas populares através de apelos nacionalistas pretendem passar para o objetivo final, que é o regime totalitário, para o emprego de uma agenda liberal internacionalizante da nossa economia..

Este passo, que pensei no início que não seria dado, está ficando claro que é o caminho, porém este caminho tem o risco de levar a ações violentas de reação das forças populares que deverá ser reprimido com extrema violência. Em resumo, os teóricos que estão montando todo este golpe estão pensando em saltar rapidamente para uma fase de internacionalização completa da economia com entrega dos ativos aos grandes conglomerados sem a necessidade de escamotear esta privatização dos militantes que necessitariam para impor o regime totalitário mesmo que isto cause danos muito mais violentos dos que conhecidos na história do nosso país..

Para entender com mais clareza o processo, é extremamente interessante voltar aos trabalhos do economista espanhol Germà Bel que demonstrou como foi à política econômica dos fascistas italianos e os nazistas, promovendo os primeiros grandes movimentos de privatização que se tem na história. A importância destes dois trabalhos, “From Publlic to Private: Privatization in 1920’s Fascist Italy” e “Against the mainstream: Nazi privatization in 1930s Germany” é que eles demonstram que regimes autoritários tendem a processos de privatização de bens públicos com muito mais vigor do que regimes democráticos burgueses, e mostra também que para que isto tenha que ser feito sob a égide de regimes Nazifascistas uma série de concessões aos suas bases sindicais e milícias tiveram devem ser feitas para premiá-las com benesses. Além de tudo, as privatizações destes regimes procuravam manter o capital nas mãos de grande burguesia e aristocracia nacional, coisa que não é o objetivo deste golpe..

Fico impressionado que em outras bases teóricas e com outra visão política, Luis Nassif chega à mesma conclusão que a minha no seu “Xadrez do Aprofundamento do Estado de Exceção“. Também analisando algumas análises de conjuntura de outro teórico de um partido de esquerda revolucionário ele chega também à mesma conclusão. Ou seja, três análises, diferentes posições políticas, diferentes mecanismos de análise, mesma conclusão..

Em resumo, TEMPOS MUITO OBSCUROS parecem estar batendo em nossa porta, tempos obscuros com o mesmo ou provavelmente com um pior grau de truculência que vivenciamos durante a ditadura militar, pois além de um projeto equivocado de criação de um Estado Nacional eles tinham um foco de repressão mais no varejo do que no atacado, e como se prevê uma resistência maior ao sistema a repressão deverá ser mais profunda..

Ou a resistência triunfa ou para os que tiverem sorte, nos veremos nas cadeias políticas da repressão.

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