Luiz Carlos Bresser-Pereira

O espetáculo proporcionado ontem pela força tarefa do Ministério Público ao acusar o ex-presidente Lula de ser o “comandante máximo” da grande corrupção em que foi envolvida a Petrobras foi lamentável. Ao invés de representar um poder da República, fazer acusações claras, e apresentar evidências dos crimes denunciado, o sr. Deltan Dallagnol e seus colegas apresentaram um gráfico ridículo com Lula no centro do esquema criminoso, fizeram acusações gravíssimas e genéricas, e admitiram não ter provas, mas, não obstante, afirmaram terem a “convicção” que Lula foi o chefe do esquema criminoso.
Definitivamente, a força tarefa da operação Lava Jato não está agindo como deve atuar um órgão do Poder Judiciário do Estado brasileiro. Está encarniçadamente procurando desmoralizar um grande político de esquerda, contando que, dessa forma, ela logra apoio da direita liberal para toda a “cruzada” em que está envolvida. Mas esta estratégia é arriscada. Hoje o grande objetivo da direita é excluir Lula das eleições de 2018, mas alcançar essa meta às custas do desrespeito aos direitos civis de uma pessoa – dos direitos que nasceram do liberalismo político e depois se transformaram em patrimônio da humanidade – é algo que os próprios liberais brasileiros poderão afinal cair em si e rejeitar. Quem está sendo ameaçado por esse tipo de comportamento político não é apenas Lula; são todos os cidadãos brasileiros. Nós, cidadãos, lutamos para conquistar esses direitos, e não estamos dispostos a sacrificá-los.
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