por Fernando Castilho


A Lava Jato foi criada não para prender os corruptos do país, mas sim para obter de empreiteiros, através de longas prisões preventivas, a tão almejada delação premiada que impicharia Dilma, prenderia Lula e destruiria o PT para que este nunca mais voltasse ao poder.
Eu vou tentar explicar a ”crise” no Judiciário conforme a leitura que faço dos fatos.
Tudo na verdade começa em junho de 2013. Inicialmente foi pelos 20 centavos mas a mídia percebeu que tinha uma oportunidade de ouro para fazer despencar a popularidade de Dilma que caiu de cerca de 60% para 30% naquele mês.
A partir daí a mídia não deu um instante sequer de sossego para a presidenta. E por isso, ela quase perdeu o pleito da reeleição.
Iniciado o novo governo, foi a vez de Aécio e Aloysio Nunes começarem a sangrar Dilma como eles prometeram. A sabotagem foi tão grande que nada mais foi aprovado no Congresso e o país começou a ficar à deriva.
A mídia novamente começou a culpar a presidenta pelo insucesso de seu novo governo e tratou de começar a construir no imaginário popular a tese de que ela e Lula teriam levado propinas da Petrobras.
Começou a Operação Lava Jato comandada por um juiz que se travestiu de delegado, algoz e carcereiro.
A Lava Jato foi criada não para prender os corruptos do país, mas sim para obter de empreiteiros, através de longas prisões preventivas, a tão almejada delação premiada que impicharia Dilma, prenderia Lula e destruiria o PT para que este nunca mais voltasse ao poder.
Sobre a presidenta, como o juiz Moro não lograsse sucesso, criou-se uma obra de ficção que o povo desconhece, chamada de pedaladas fiscais que deveriam soar como crime de responsabilidade.
Ao mesmo tempo, Moro foi atrás de cotas que a esposa de Lula comprou de um apartamento tríplex que na verdade era a junção de 3 unidades de 90 m² no Guarujá. Compra a que Dona Marisa desistiu no início do ano e que pela qual pede devolução das parcelas pagas.
Em outra frente Moro tentava incriminar Lula por ele e sua família frequentarem um sítio em Atibaia, propriedade do filho de seu compadre e companheiro antigo de lutas, Jacó Bittar e de seu sócio.
Notas fiscais de um depósito de materiais de construção davam conta de que um engenheiro de uma empreiteira investigada teria comprado alguns materiais para reforma de uma cozinha.
Numa votação absolutamente constrangedora em que todos os motivos para o impeachment de Dilma foram citados menos o crime de responsabilidade, ela foi derrotada por deputados que têm contra si inúmeros processos.
Aprovado o golpe pela Câmara, chegou a vez do Senado afastar a presidenta pelas pedaladas fiscais.
O empresário Sérgio Machado, com medo de ser preso pela Lava Jato, gravou sua conversa com o senador Romero Jucá, um dos golpistas, obtendo dele a confirmação de que era preciso impichar Dilma e colocar Temer na presidência para que a sangria da Lava Jato fosse estancada.
Estava confirmada a verdadeira razão por trás do desejo do afastamento de Dilma.
O Ministério Público Federal inocentou Dilma dos crimes de responsabilidade. Mas isto não bastou para que ela fosse reconduzida ao cargo. A acusação agora passaria a ser ”conjunto da obra”, coisa que ninguém sabe dizer do que se trata.
Não havendo como incriminar Dilma e Lula na Lava Jato, Moro passou a aos poucos soltar os empresários que todo mundo que idolatra o juiz jurava que seriam condenados e presos, pois estes começaram a citar não Dilma, não Lula e não José Dirceu (este ninguém sabe dizer porque está preso), mas sim Aécio Neves (10 vezes), Aloysio Nunes e mais recentemente, José Serra (23 milhões) e o interino Temer (10 milhões).
Ou seja, os empreiteiros não têm mais ninguém do PT para delatar. Estão delatando tucanos e peemedebistas a rodo.
É preciso acabar agora com a Lava Jato. Urgente.
O problema é que primeiro Dilma tem que ser impichada e Temer assumir em definitivo para que a operação seja extinta.
O ministro do STF Gilmar Mendes nunca antes havia se oposto aos diversos vazamentos que ocorreram. Mas bastou a revista Veja mencionar em artigo que seu cãozinho de estimação, Dias Toffoli teria sido citado como tendo interferido na Lava Jato, para que ele passasse a odiar os vazamentos e a criticar severamente Moro.

A ideia por trás de toda essa encenação é pressionar Moro (que já cumpriu seu papel e pode ser descartado como foi Joaquim Barbosa após concluído o processo do mensalão) para que este encerre a Lava Jato.

É preciso agora vender a ideia de que o Ministério Público e Moro estão fazendo tudo de maneira ilegal.

A mídia deverá ter um papel decisivo na trama. Ela manipulou as pessoas para acreditarem no MP e no Moro. Agora deverá inverter o raciocínio. Observe que ela já começou a demonstrar ”indignação” com o fato de promotores defenderem meios ilícitos para obterem resultados.

Gilmar navega na mesma onda do PT que sempre demonstrou muito descontentamento com os vazamentos. Observo nas redes sociais que muita gente da esquerda agora tece loas a Gilmar por ele criticar Moro. Ele vai conseguindo o que quer aos poucos. É esperto.

Encerrada a Lava Jato uma anistia deverá ser votada pelo Congresso para livrar todos os envolvidos na operação (menos Dirceu e Vaccari), inclusive Eduardo Cunha que voltará à presidência da Câmara. Isto já está em fase de elaboração.
Dilma deverá voltar a Porto Alegre.
Lula ainda poderá ser preso por qualquer coisa que inventarem pois ele precisa estar fora do pleito de 2018 porque se as atuais pesquisas de opinião se confirmarem, ele será eleito novamente. E isso a plutocracia que tão bem organizou o golpe, não pode tolerar.
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