A Rebeldia crítica é a maior virtude do intelectual

Há pouco mais de 2 anos, acompanhei durante meses centenas de pessoas em distritos policiais acusadas de fazerem parte da organização “black bloc”. Nos dias mais caóticos, quando prisões em massa eram realizadas, junto a outros Advogados Ativistas, fui parte de mais de uma dezena de oitivas rápidas; outras vezes, atravessava a tarde quando um bode expiatório era escolhido e o interrogatório levava horas.

Na sede do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), localizado na zona norte de São Paulo, o terrorismo era a grande pauta das perguntas, seja nas oitivas rápidas ou demoradas. Um dos investigadores chamava a atenção, pois era forte como um touro e ostentava a tatuagem em seu braço esquerdo com os dizeres Mein Kampf – curiosamente título da autobiografia de Adolf Hiltler, escrita em seus anos de cárcere. O protótipo de nazista e seus colegas menos boçais tinham uma certeza: lidavam com terroristas. A grande prova irrefutável era uma matéria da Revista Época, que falava dos “black…

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